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Abril idade

por carlos carujo, em 25.11.13

Há 20 anos, estudantes em luta pelo ensino público, sentíamos a leveza dos bastões do cavaquismo. Hoje sentimos o peso da austeridade.

Há 20 anos, estudante em luta pelo ensino público, corria à frente dos bastões do cavaquismo. Hoje já nem consigo correr atrás do prejuízo.

Há 20 anos, estudantes em luta pelo ensino público, acabámos por perder. Hoje a derrota é um quotidiano em que se eclipsa o futuro.

Não é da nossa juventude reescrita pela nostalgia. Não é do peso do tempo ou da força das pancadas. Não é do significado político dessa derrota. Não é de um balanço. Não é da trajetória de uma geração entalada na precariedade e no desemprego. Não é de nada disso que me apetece escrever.

Apetece-me apenas dizer que demos luta. E não é para que conste. Apetece-me dizer que forjámos camaradagens. Apetece-me dizer que aprendemos, que aprendi. E não é para justificar que tenha valido a pena.

Apetece-me dizer uma idade como se fosse uma possibilidade e como se condensasse esperanças.

Há 20 anos dedicámos a nossa passagem pela universidade a lembrar que Abril tinha a nossa idade. Hoje ainda tem. E se na altura provámos um toque nada meigo de Novembro e se hoje vivemos um imenso Novembro austeritário, Abril continua a ter a nossa idade. Não há cavaquismo, bastonada, Novembro, troika, desemprego, que nos tire isso.

Há Abril.

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publicado às 19:47


"Têm sido raríssimas e limitadas as experiências de convergência na metade esquerda do espectro político, apesar da importância de experiências como a de Lisboa nos anos 90 ou a ampla frente cívica no Funchal".
Retirado de Roteiro Para a Convergência do LIVRE.
Comentário: Tive a felicidade da minha área política (área política em que o BE se insere) ter participado, com SUCESSO e EMPENHO, nestas duas experiências.

Por isso, só posso estar LIVREmente no BLOCO DE ESQUERDA!

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publicado às 17:30

Queremos mesmo ficar a resistir sozinhos?

por João Mineiro, em 25.11.13

 

 

 

A crise que atravessamos é a pior crise da nossa história recente e a que tem tido uma resposta mais autoritária e ultraliberal. A destruição das conquistas históricas do movimento popular, dos trabalhadores e do povo coloca-nos dois problemas fundamentais: o de como resistimos e bloqueamos o ataque; e o de como atacamos, e preparamos uma alternativa para disputar a maioria, tomar e transformar o poder.

 

É sobre essa duas dimensões – a da resistência e a da alternativa – que importa ir ao combate. Se, como toda a esquerda reconhece, este é o maior ataque às conquistas populares de que temos memória deste o 25 de Abril, qual será a nossa missão histórica? Deixar a burguesia aprofundar o processo de exploração até não haver mais quem consuma os seus produtos, o sistema entre em colapso e o povo realmente perceba as virtudes do socialismo, do poder popular e da democracia directa? Ou devemos construir a resistência mais ampla de sempre à destruição dos serviços públicos, da constituição e dos direitos sociais que, no imediato, permitem bloquear o ataque da direita e fazer cair parte do seu programa ideológico?

 

É nesse prisma que nos devemos colocar. No prisma de quem sabe que resistir agora para não deixar que os trabalhadores e o povo percam os direitos que conquistaram é o melhor caminho para mudar a relação de forças e contra-atacar. Isso implica juntar na resistência quem terá muitas divergências sobre o projecto político futuro. É a vida. Nenhuma revolução ou processo de luta de massas se fez sem pessoas com ideias muito diferentes de como organizar a sociedade, a política e a economia a seguir à destruição das antigas formas de poder.

Coloco isto desta forma, meramente para dizer o seguinte: o que se passou na Aula Magna na passada quinta-feira não foi uma evidente demonstração da rendição da “esquerda institucional” à social-democracia decadente, como têm anunciado algumas pessoas nos mais diversos quintais. Bem pelo contrário. Se há forma mais dialéctica de preparar condições para a disputa de massas, é perceber em cada momento que relações de força pode ajudar a trazer mais gente para os combates fundamentais que agregam.

 

O que vi na Aula Magna não foi a “esquerda institucional” rendida. Foram centenas de pessoas do mais diversos espaços de activismo e militância a afirmar que a defesa da Constituição, do Estado Social e da Democracia não são para amanhã, são para agora. Porque eles ainda são o que hoje nos permite resistir à brutal ofensiva do capital sobre o trabalho que vivemos tão nitidamente.

 

E mesmo que na sala houvesse muitos oportunistas, muita gente que começou a destruição do Estado Social que agora diz querer defender, há uma coisa que percebemos: o incómodo dos fiéis da austeridade e do paco orçamental com aquele encontro é justificado e é muito significativo. É que alargar o campo da resistência sem sectarismos em torno da defesa do essencial é a melhor arma para juntar mais gente à luta pelo que é imprescindível: uma sociedade alternativa, uma economia gerida colectivamente, o fim da exploração e do capitalismo.

 

Quem está disponível para esses combates, não está disponível para ficar a falar sozinho.  

 

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publicado às 16:32

Sobre a "Esquerda do Meio"

por Hugo Ferreira, em 25.11.13


"Na Grécia, que terá eleições no próximo dia 6 de maio, há uma aventura semelhante — a da Esquerda Democrática. A Esquerda Democrática é uma coligação entre duas cisões, uma vinda dos socialistas e outra da esquerda radical: é como se em Portugal a ala esquerda do PS se aliasse aos bloquistas mais abertos. Em apenas um ano, estão nas sondagens acima dos dez por cento, e já apareceram em primeiro à frente de todos os outros partidos de esquerda.", Rui Tavares, em artigo de opinião publicado no Público, em vésperas da realização das eleições legislativas de Maio de 2012 na Grécia.


Um bom cartão de visita do LIVRE - a nova organização partidária que se perspectiva para uma qualquer manhã de nevoeiro que aí virá. Para já não se lhe pode negar a inovação e originalidade. Trata-se do primeiro partido unipessoal da história da democracia portuguesa. Não tem, até agora, programa e na sua declaração de princípios escasseiam premissas ideológicas consistentes. Abundam, pelo contrário, «chavões», mais ou menos consensuais, em torno de ideias vagas sobre "Europa", "Ecologia", "Esquerda" e "Universalismo".

 

Como a transcrição bem reflecte, também aqui a Grécia é um bom exemplo: a unidade da esquerda com vista à constituição de um seu governo, como processo complexo que é, com avanços e recuos, com mistificações e clarificações, não é decretável nem atingível em resultado de actos desconexos «deste» ou «daquele» grupo de intelectuais, «deste» ou «daquele» partido ou sua fracção e onde o oportunismo, o aventureirismo e o voluntarismo caminham de mãos enlaçadas. É preciso uma base programática consensualizada - a sua urgência não deve tornar-nos menos exigentes na sua construção-, um percurso comum onde as relações políticas de confiança se possam solidificar e, sobretudo, é necessário conquistar uma maioria social e política que se mobilize em torno desse programa, que o defenda e, assim, permita a sua execução.

 

Não admira, por isso, que no debate sobre a constituição de um Governo de Esquerda, todos aqueles, como Rui Tavares, que secundariam estas tarefas, dando, em contrapartida, primazia às questões relativas à organização interna dos partidos, ao "sectarismo" - problemas cuja existência e relevância  como é evidente não nego -, etc., pouco ou nada tenham a propor além da "realização de primárias". Trata-se de uma técnica que me é muito familiar: sempre que o debate político, ideológico e programático parece desfavorável, as questões  de "organização e democracia internas" ganham toda a relevância possível. Essas questões são, de facto, muito importantes - e eu que o diga -, mas são claramente insuficientes para através delas se cravarem divergências de fundo e se constituírem novos partidos.


Escusado será dizer onde acabou a Esquerda Democrática. Deve ser mais ou menos isto que Rui Tavares deseja e espera que aconteça aqueles que denomina como sendo a "ala esquerda do PS" e a "ala moderada do BE"

 

Memória. É disso que hoje precisamos.

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publicado às 13:36

A canalha saudosista (do salazarismo) que manda na Assembleia da Madeira, com Jardim e Jaime Ramos à cabeça, assinala o contra-golpe reaccionário de 25 de Novembro, que recuperou alguns dos "valores da Ditadura", mas recusa insistentemente comemorar a Revolução Libertadora de Abril. O saudosismo pelo salazarismo e o ódio à Revolução são pedras de toque da canalha. Os partidos subscritores do Pacto Pela Democracia recusam-se a participar na palhaçada saudosista dos reccionários novembristas e deixou o PSD e o CDS a falarem sós. Estão bem uns para os outros. Viva o 25 de Abril!

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publicado às 13:35

25 de Novembro: dia de luto político da Esquerda

por Hugo Ferreira, em 25.11.13

Muito haveria para dizer e escrever hoje sobre o 25 de Novembro de 1975, os seus dinamizadores, os vencedores e os vencidos, o seu significado político e as suas consequências económico-sociais com impactos, não apenas no período imediatamente posterior, mas, sobretudo, com repercussões nos dias de hoje. Há não muito tempo um deputado, Fernando Rosas - um daqueles parlamentares que hoje, pela sua inteligência e profundidade reflexiva, nos fazem falta - fez uma boa síntese das razões que levam a direita portuguesa a secundarizar o 25 de Abril de 1974 em face do 25 de Novembro de 1975. Nestes dias é, essencialmente, sobre isso que devemos reflectir.

 

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publicado às 09:51




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