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Houve quem vivesse uma vida sem viver a Mudança!

por Roberto Almada, em 22.11.13

 

Alguns companheiros e algumas companheiras, que vivam fora da Madeira, dificilmente compreendem a importância da Mudança política que se viveu nesta terra a 29 de Setembro. Nesta parte de Portugal, depois de 48 anos de Ditadura Salazarista, vivemos 35 de Ditadura Jardinista. Perseguição de adversários políticos, corrupção, controle apertado dos que dependem da coisa pública, tentativa de controlar os tribunais, atentados contra a liberdade de imprensa...

O rude golpe na cabeça do polvo foi o primeiro passo para a viragem política e democrática que pode ser consubstanciada em 2015. Foi preciso passar por cima de interesses partidários e de egoísmos políticos para conseguir fazer um acordo - difícil e estranho! - que permitisse a Mudança no Funchal! Tenho um camarada que costuma dizer: "Temos um Passos Coelho, na Madeira, há 35 anos. Com uma diferença: o da Madeira é muito pior!". Houve quem vivesse uma vida sem viver a Mudança! Eu comecei a vivê-la! Não imaginam a alegria que é respirar, pela primeira vez na vida, Democracia nesta terra!

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publicado às 22:14

O apelo de Cavaco

por Francisco dOliveira Raposo, em 22.11.13

Cavaco dixit sobre o protesto das policias: «Não tenho ainda informação completa sobre o que aconteceu, porque ainda não tive oportunidade de falar com o Governo e, por isso, numa circunstância destas o meu apelo só pode ser um: serenidade».


O seu problema, Senhor Presidente dos Bancos e Especuladores, do Grande Capital (financeiro e «produtivo»), dos trafulhas e criminosos do BNP, dos Dias Loureiros e quejandos, o problema é que a sua serenidade é a inquietação e indignação que cresce por debaixo da aparente acalmia.

 

E o nosso problema é que, apesar da desagregação das forças repressivas, falta uma campanha para acabar com a sua serenidade, para reunir as propostas alternativas de forma clara e mobilizadora, para unir na acção as milhentas inquietações, indignações e lutas que se travam por todo o país.

 

Mas como dizia o outro:

«...atrás dos tempos vêm tempos
e outros tempos hão-de vir...»


 

 



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publicado às 17:52

Há dias estranhos

por Alex Gomes, em 21.11.13




Polícias ocupam a escadaria da AR no mesmo dia em que o PS faz um comício de esquerda.



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publicado às 22:06

Era uma vez uma Loja do Cidadão...

por Fábio Salgado, em 21.11.13

Hoje fui à Segurança Social da Loja do Cidadão dos Restauradores. Não vou maçar com o facto de ter tirado senha às 11h e ser atendido às 18h. Não vou maçar com o facto de ter perdido o dia de trabalho, o valor do almoço e da água (nem água gratuita a Loja tem). Vou maçar com o fecho de um serviço essencial no centro de Lisboa. A Loja do Cidadão já tem uma grande faixa a dizer "ARRENDA-SE LOJA", os funcionários confidenciaram que só souberam ontem, com a faixa. Ainda não sabem para onde vão, se vão. Mas o ministro já prometeu mil lojas do cidadão online! Não é preciso escrever muito para que toda a gente perceba que os danos para as centenas de pessoas que diariamente utilizam/precisam deste serviço.

 

 Despeço-me, com amizade, até ao próximo fecho.

Loja do Cidadão vai fechar

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publicado às 21:13

Cuidado com as más companhias!

por Roberto Almada, em 21.11.13

Sou madeirense e gosto de Cristiano Ronaldo. Mas como sempre, a corja política da Mamadeira gosta de asfixiar tudo. Por isso, fica o aviso: cuidado com as más companhias!

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publicado às 12:58

Queridos Leitores:

Escrevo-vos estas duas linhas na esperança que as vão encontrar de perfeita saúde, juntamente com os vossos. Nós por aqui, no “albergue espanhol”, vamos bem, graças a Deus. Queria em primeiro lugar dizer-vos que neste “saco de gatos” (nome por que também o “albergue” é conhecido!) vivem-se momentos de grande satisfação por termos conseguido estragar a festança ao Tio Alberto, e aos seus apaniguados. Quando o nosso Presidente Cafôfo apareceu, como candidato à Câmara do Funchal, alguns dos amigos leitores escarneceram e declararam desconhecer tal figura. Espero que, neste momento, os amigos já saibam minimamente quem é Cafôfo, o nosso Presidente! Mas se, porventura, ainda não o conseguirem identificar podem pedir ao José Manuel Rodrigues ou ao Bruno Pereira que o apresente, pois eles conhecem-no bem por via da coça que levaram no passado dia 29.
Os dias aqui, no “saco de gatos”, têm decorrido com toda a normalidade pois os bichanos cá do sítio, embora muito diferentes uns dos outros, têm conseguido conviver com alguma tranquilidade. Por outro lado, no “ninho de víboras”, algures na Rua dos Netos(1), tal tranquilidade não se vislumbra: a jibóia-mor quer matar as serpentes que por lá andam e não se vislumbra sossego naquela “gaiola das malucas”!
Claro que aqui os dias não vão ser sempre tranquilos: nem queríamos essa pasmaceira! Dias virão em que os bichanos vão discutir e disputar a atenção dos donos. Mas, estou certo, que vamos ter menos chatices, todos juntos, dos que as venenosas cobras no seu ninho.

Por aqui, nenhum gato maltês (2) (dos tais que tocam piano e falam francês!), mais ou menos assanhado, mete as patas. Se esses bichanos se meteram no ninho de cobras, que se aguentem com elas. Neste saco não pousarão!
Por agora termino, desejando que a jibóia-mor (3), embora velha e caquética, continue a mandar no ninho de cobras da Rua dos Netos. Continue a rebentar com aquilo que pode ser que em 2015 apareça algum Cafôfo, apoiado por um qualquer “saco de gatos”, para fazer a Mudança na Madeira!
Beijos e Abraços e um miau grande p'ra vocês!

 

(1) Rua onde fica situada a sede do PSD/Madeira

(2) Alcunha por que é conhecido o anterior presidente da Câmara do Funchal, Miguel Albuquerque.

(3) Referência a Alberto João Jardim.

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publicado às 12:12

Livra!

por Carlos Guedes, em 17.11.13

O meio da Esquerda é um buraco sem fundo.

 

NOTA: Dizem-me que o comentário aqui replicado pertence a um perfil falso, criado no Facebook.  Fica o esclarecimento.

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publicado às 23:56

Deixem as putas ser putas

por panchovenes, em 17.11.13

Sobre o post  "Representações femininas no Facebook" do PDuarte no "L'obéissance est morte":

Caro PDuarte, as jovens na tua publicação só são "putedo" a partir do momento em que tu lhes dás esse nome. Bem vistas as coisas, não há nada de errado em ser puta mas há algo de muito errado na forma como homens (e mulheres) se referem e tratam as putas.

Paternalismo é mau, paternalismo à esquerda é muito mau, o teu post é pior.

Um abraço,

Pancho

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publicado às 19:27

As drogas no Ocidente

por panchovenes, em 16.11.13

Decidi partilhar esta entrevista do antropólogo catalão Joseph Fericgla porque me parece um dos textos mais pertinentes para falar sobre drogas e do seu papel na sociedade ocidental. 

Entre os temas abordados, Fericgla refere como as políticas proíbicionistas têm origem no enorme negócio em que está envolvida uma parte da classe política uma vez que as pessoas nunca as deixarão de consumir.

Fala também sobre o importante papel das substancias psicoactivas nas restantes sociedades e de como entre nós, ocidentais, as drogas culturalmente aceites (cafeína e álcool) não só não estimulam a mente com a atrofiam.

 

"El 89% de los pueblos de la Tierra toma sustancias psicoactivas potentísimas., y en el 11% restante ahí estamos nosotros, los occidentales. Somos la excepción. Y agresiva, pues la imponemos a los demás pueblos. Nosotros tomamos drogas de esclavos: son drogas para trabajar mucho y pensar poco. La cafeína estimula los músculos, pero no el cerebro, y el alcohol embota la mente. Carajillo y cubata: perfecto combinado para esclavos."


Também me pareceu interessante a refuta de Fericgla ao conceito de adição psicológica às drogas. Refere que "existe una adicción física, pero esto se sabe que la persona más adicta en diez días su cuerpo está limpio" e que a adição não existe e sim um comportamento compulsivo que  " lo hace es estar llenando algún vacío interior de la persona, emocional, existencial, ..." Para combater este comportamento refere que "lo que hay que hacer no es cortar con la adicción, sino que lo importante es descubrir qué es el vacío de cada persona, de dónde surgió el vacío."

Outros dos aspectos importantes parece-me ser o consumo de drogas para diversão a que Fericgla se refere dizendo que um indígena seria incapaz de entender o conceito.

O antropólogo termina a entrevista referindo que o importante é que aprendamos a utilizar as drogas e que estão "son substancias mucho menos delicadas de lo que los prohibicionistas nos quieren hacer creer y un poco más delicadas de lo que creen los jóvenes que las toman en discotecas para divertirse."

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publicado às 21:12

Proposta de mandamentos para a esquerda

por Alex Gomes, em 16.11.13

 

1. Não roubarás quando chegares ao governo, nem farás parte de governos corruptos. Ouviram bem, acólitos do PT e PC do B?

 

http://noticias.r7.com/brasil/dirceu-genoino-valerio-e-mais-sete-condenados-do-mensalao-se-entregam-15112013

*Imagem de Carlos Latuff

 

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publicado às 05:05

Medicinas naturais e doenças artificiais...

por Ricardo Gomes (Riça), em 15.11.13

Anda por aí, nas redes sociais, confusão e discussão, como sempre. Cada vez mais acredito que elas foram feitas para nos incomunicar, mas não é sobre isso que quero escrever. Quero escrever e escrevo quando a intolerância me magoa e é sobre isso, sobre as críticas a uma proposta do BE sobre a isenção do IVA ao uso de medicinas "alternativas".

Antes de começar também quero deixar claro que sou contra impostos e outras formas vis que nos arranjam para roubar. Mas admitindo e encarando o mundo onde vivo, não posso de deixar de achar a proposta interessante, porque coloca outras medicinas possíveis mais perto do outro mundo possível que tantas de nós andamos à procura.

Uma das críticas é a de não querer contribuir para a banha da cobra... Bom, que tal falarmos da indústria farmacêutica, que produz medicamentos placebo que nenhum, ou quase, efeito têm sobre as pessoas? Quando falo de ladroagem, prefiro sempre meter-me com os grandalhões. Talvez por isso não ande para aí a dizer que a culpa da crise é dos que roubam no RSI ou das imigrantes, mas prefiro ir aos BPN's e companhia, por exemplo. Neste caso ataco a Pfizer, Bayer e outros gigantes que lucram milhões e milhões sequestrando o SNS desde há décadas, pois a eles o estado paga medicamentos, tratamentos caríssimos que nos levam a cair ainda mais numa dívida eterna. Ou quem acham que são os credores das dívidas dos hospitais?

Sim, mas como tenho problemas com quem me rouba, também me atiro ao pescoço de muita gente que se aproveita do descrédto que uma grande parte da população na medicina dita convencional e cai nas artimanhas de muita gente que exibe diplomas duvidosos no seu consultório. Mas quando a proposta do BE me quer tornar isento de IVA, agradeço. E agradeço que se coloquem esta forma de medicina ao mesmo nível que a outra, a dita convencional.

Porque não se trata para mim de entrar em debates sobre qual delas é a melhor, para mim trata-se de direito à escolha. Quero ter o direito de escolher quem me engana se é a Bayer ou o doutor Ernestino. NÃO! Melhor.

No outro mundo possível quero que a Bayer não exista e quero que os laboratórios produzam medicinas grátis, sem ânimo de lucro, não destrutoras do ambiente e sem patentes roubadas às xamãs que depois são acusadas de vender banha da cobra. Quero esses xamãs, essas bruxas, que guardam conhecimentos milenares (a quem a arrogante ciência os roubou) tão disponíveis como um médico formado numa faculdade qualquer. Quero que uma discussão científica seja construtiva e onde duas visões diferentes não sejam antagónicas mas sim solidárias.

Quero sim dizer que não preciso da ciência para me justificar supostas inferioridades, já sabemos onde podemos ir parar. Se é certo que certas medicinas ditas alternativas foram criadas há bem pouco tempo e com resultados duvidosos também é certo que a medicina dita convencional se baseia não só no método científico, mas também deve muito do seu conhecimento às medicinas tradicionais. E todas são falíveis. 

Será assim tão difícil percebermos que a tão proclamada tolerância assenta no direito à escolha? Será assim tão difícil perceber que a vida não nos apresenta duas barricadas onde nos enfiarmos mas sim um gigantesco leque de opções para agarrar se soubermos perceber que não vivemos atomizadas enquanto pessoas, mas sim que apesar de tudo, a humanidade evoluiu graças ao apoio mútuo e à troca...

 

Duas sugestões:

 

Apesar do tom intolerante e defensor da ciência como verdade única, existe aqui informação muito interessante sobre as ditas medicinas alternativas:

http://www.losproductosnaturales.com/

 

Acho que esta gente encontrou o equilíbrio entre as duas coisas e aconselho mais vivamente:

http://www.sumendi.org/castellano/Quienes.html

 

Saúde!

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publicado às 18:37

A disciplina democrática: há um ano foi assim.

por Rodrigo Rivera, em 14.11.13

 

 

 

 

Há um ano atrás, a esta hora, estava eu numa cela num estabelecimento prisional em Monsanto. Sem acusação, sem telefonema, com advogada impedida de falar comigo e com outros. E porquê? Porque estava no Cais do Sodré às 18h de dia 14 de Novembro. Hoje estou no Brasil à procura de um começo digno, depois de ter terminado a Licenciatura. O Governo e o Ministro Miguel Macedo continuam no poder, apesar das mil e umas ilegalidades cometidas pela PSP no dia 14 de Novembro de 2012. Uma das ilegalidades, a prova de que não houve qualquer "aviso" antes da maior carga policial da história do país, demorou quase um ano para ser condenada pela Justiça.

 

Eu estive na manifestação e fiquei depois de terminar o discurso da CGTP. Não participei no festival de pedras, mas vi claramente que ele só aconteceu com consentimento policial, ou superior. No momento logo antes da carga policial, saiu um projétil luminoso desde o cordão policial até o meio do largo frente ao Parlamento. Um ou dois segundos depois, um mar de polícias que desceram e numa espécie de arrastão, bateram em tudo o que viram à frente. Pais com crianças ao colo, idosos, até em bicicletas. Eu vi cães raivosos dentro de uma farda, cuja acção só mostrava o total desconhecimento da lei, da Constituição, dos direitos do povo que juram defender.

 

Fugindo da confusão, acabei por parar no Cais do Sodré, a mais de 1km do local da carga policial, com o objetivo de apanhar um taxi. Subitamente, uma emboscada de polícias "à civil" apanharam-me a mim e a mais 20 pessoas e algemaram-nos. Algumas pessoas não tinham estado na manifestação. Estavam a passear no Cais do Sodré. Outra pessoa tinha saído pelo Rato, porque não se quis meter na multidão e queria voltar para casa, apesar da falta dos transportes. Estava no Cais do Sodré a caminho de Algés, a pé. Foi detido também, como nós, sem acusação.

 

Este foi o primeiro episódio mais centralizado da acção de uma PSP cada vez mais autoritária e militarizada. Digo mais centralizado porque ela já tem presença regular nos subúrbios de Lisboa, com rusgas regulares, imposição de recolher obrigatório, "show-off" de material paramilitar. Esta é a fachada do nosso Estado hoje. É esta a maior proximidade que muitos dos portugueses têm com o Estado: uma PSP cada vez mais militarizada e sobretudo, cada vez mais ignorante. Não sabe nem quer saber que leis deveria defender, só lhe interessa a manutenção da ordem, do regime austeritário, do exílio laboral e do desmantelamento da democracia.

 

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publicado às 23:25

 

O Daniel Oliveira decidiu dissertar sobre o novo sujeito político de esquerda. Parte do argumentário sobre a que eleitorado se deve dirigir uma alternativa para vencer, já foi dado pelo Hugo Ferreira em baixo.  Por isso, partilho só três interrogações que o novo sujeito ainda não respondeu. Talvez o Daniel nos pudesse ajudar. São sobre o programa. 

 

É a esquerda a culpada pelo facto do Partido Socialista ser responsável pelo começo da austeridade, das privatizações, da liberalização das relações laborais e do ataque aos serviços públicos?

 

Não.

 

É a esquerda responsável pelo facto do Partido Socialista não querer romper com o memorando, renegociar a dívida e defender o Estado Social e pelo contrário fazer negociações com a direita, assinar o tratado orçamental e a regra de ouro e dizer que é possível crescimento económico e austeridade?

 

Não.

 

E o que é que um novo partido de esquerda vai fazer de diferente? Vai romper com a austeridade? Vai renegociar a dívida? Vai devolver salários e pensões? Vai implementar uma reforma do sistema fiscal que permita ter um Estado Social mais forte?

 

Se a resposta é sim, relembro que o Bloco e o PCP já têm proposto há vários meses esse programa e o PS, invariavelmente, tem rejeitado essas propostas de forma categórica. Com quem espera o novo partido fazer aliança afinal?

 

Se a resposta é não, eu percebo que para algumas pessoas seja aliciante partilhar responsabilidades de governo com o PS, mas em que parte do programa está um novo partido disponível para ceder? Austeridade, a dívida, o estado social, os impostos, ou tudo ao mesmo tempo? 

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publicado às 16:13

Virar a Esquerda ao Contrário

por Hugo Ferreira, em 14.11.13

Imagem da Gui Castro Felga

(cartaz roubado à Gui Castro Felga)

 

O problema das análises políticas do Daniel Oliveira, em especial quando fala da Esquerda, é que elas revelam sempre, umas vezes expressa outras subliminarmente, um complexo de inferioridade em relação ao PS. Não se nega que o PS continua a ser, ainda hoje, um partido federador de uma parte importante dos sectores sociais progressistas e de Esquerda, nem que, em consequência, o partido continue a ser percepcionado por esses sectores como uma referência política.

 

Mas pergunta-se: a junção, por si só, desses sectores progressistas do campo socialista com os eleitorados comunista e bloquista - convém sempre relembrar, ainda assim, que os eleitorados são variáveis e não pertença universal dos partidos - é hoje suficiente para que possa emergir uma alternativa de Esquerda que rompa com a austeridade e defenda os salários, as pensões, os desempregados, os precários, o Estado Social? Esses sectores coligados são suficientes não só para disputar o poder e, sobretudo, terão eles a força, o suporte social necessário para conseguirem forçar a ruptura com o programa e a agenda fanática e radical da Direita?

 

Nas análises do Daniel Oliveira, como nas análises das direcções político-partidárias que ideologicamente lhe são submissas, há sempre uma variável, na minha opinião a mais relevante de todas, que lhes escapa ou é subvalorizada: o exército de abstencionistas. Nenhuma mudança se fará neste país, e um pouco por toda a Europa, sem a mobilização de parte significativa desses sectores. É neles que reside hoje o grande potencial de crescimento da Esquerda, assim os consigamos politizar, saibamos merecer a sua confiança e tenhamos o engenho e o arrojo de os devolver  ao seu habitat natural: o da disputa política democrática e da governação da sociedade.

 

Mas perceber isto implica que não nos conformemos com a pretensa fatalidade de que tudo continuará como está, independentemente dos estragos que foram, são e continuarão a ser feitos pela Troika e pelo Governo. Isso implica pensar além do sistema político vigente, coisa que o Daniel Oliveira não tem feito com muita frequência. Por isso é que se limita a considerar que o futuro da Esquerda está dependente de truques e manobras operadas pela intelectualidade universitária lisboeta, pelos jovens turcos do PS e pelas lideranças partidárias mais ou menos desesperadas com a sua irrelevância política.

 

O mundo lá fora, apesar de tudo, ainda é mais vasto que a nossa mesa de jantar.

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publicado às 12:04

Não é incompetência

por Samuel Cardoso, em 13.11.13
É cegueira ideológica. Vergonhoso.

Educação especial perde mais de 14 milhões:
http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=3528323

19,4 milhões para quem tiver filhos em colégios privados:
http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=3528081&page=1

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publicado às 00:59





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