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A disciplina democrática: há um ano foi assim.

por Rodrigo Rivera, em 14.11.13

 

 

 

 

Há um ano atrás, a esta hora, estava eu numa cela num estabelecimento prisional em Monsanto. Sem acusação, sem telefonema, com advogada impedida de falar comigo e com outros. E porquê? Porque estava no Cais do Sodré às 18h de dia 14 de Novembro. Hoje estou no Brasil à procura de um começo digno, depois de ter terminado a Licenciatura. O Governo e o Ministro Miguel Macedo continuam no poder, apesar das mil e umas ilegalidades cometidas pela PSP no dia 14 de Novembro de 2012. Uma das ilegalidades, a prova de que não houve qualquer "aviso" antes da maior carga policial da história do país, demorou quase um ano para ser condenada pela Justiça.

 

Eu estive na manifestação e fiquei depois de terminar o discurso da CGTP. Não participei no festival de pedras, mas vi claramente que ele só aconteceu com consentimento policial, ou superior. No momento logo antes da carga policial, saiu um projétil luminoso desde o cordão policial até o meio do largo frente ao Parlamento. Um ou dois segundos depois, um mar de polícias que desceram e numa espécie de arrastão, bateram em tudo o que viram à frente. Pais com crianças ao colo, idosos, até em bicicletas. Eu vi cães raivosos dentro de uma farda, cuja acção só mostrava o total desconhecimento da lei, da Constituição, dos direitos do povo que juram defender.

 

Fugindo da confusão, acabei por parar no Cais do Sodré, a mais de 1km do local da carga policial, com o objetivo de apanhar um taxi. Subitamente, uma emboscada de polícias "à civil" apanharam-me a mim e a mais 20 pessoas e algemaram-nos. Algumas pessoas não tinham estado na manifestação. Estavam a passear no Cais do Sodré. Outra pessoa tinha saído pelo Rato, porque não se quis meter na multidão e queria voltar para casa, apesar da falta dos transportes. Estava no Cais do Sodré a caminho de Algés, a pé. Foi detido também, como nós, sem acusação.

 

Este foi o primeiro episódio mais centralizado da acção de uma PSP cada vez mais autoritária e militarizada. Digo mais centralizado porque ela já tem presença regular nos subúrbios de Lisboa, com rusgas regulares, imposição de recolher obrigatório, "show-off" de material paramilitar. Esta é a fachada do nosso Estado hoje. É esta a maior proximidade que muitos dos portugueses têm com o Estado: uma PSP cada vez mais militarizada e sobretudo, cada vez mais ignorante. Não sabe nem quer saber que leis deveria defender, só lhe interessa a manutenção da ordem, do regime austeritário, do exílio laboral e do desmantelamento da democracia.

 

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