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A vergonha do João Miguel

por João Mineiro, em 14.02.14

 

As nossas sociedades produzem os seus próprios bibelôs e os seus próprios cães de loiça. São pessoas que não se percebe de onde vieram, quem é que são e porque é que estão ali especadas. Mas apareceram, fixaram-se e vivem vomitando opiniões em todos os canais de comunicação. Sabe-se, no entanto, que no geral ninguém assume responsabilidade de as ter ali posto. Também ninguém sabe bem porque é que ninguém as tira dali e, no geral, ninguém as aprecia especialmente. Enfim, tudo isto para vos falar de um tal jornalista (segundo consta) João Miguel Tavares.

 

Conheci-o numas crónicas da revista do correio da manhã sobre banalidades do quotidiano, o seu filho, a sua família e mais não sei bem o que. Eram crónicas um bocado patéticas mas ao menos aí não incomodava ninguém e entretinham a malta quando ia à casa de banho. Agora está em todo o lado, tem um programa de comentário político semanal, escreve no Público e vomita opiniões por todo o lado.

 

João Miguel Tavares é um símbolo do nosso tempo. É um símbolo de uma direita rançosa e conservadora que tenta dar um ar moderno mudando as hastes dos óculos. Parecem mais modernos, mais chiques, mais hipesters, mais tudo. Mas são a mesma coisa, cheiram ao mesmo e ganham uma presença no espaço mediático completamente dissonante do que vão fazendo pela vida.

 

Enfim, o João Miguel decidiu dizer que o aborto livre e gratuito é uma vergonha. Diz que as mulheres não podem ir para a prisão mas que isto também não pode ser tudo à balda. Que é preciso um meio termo: as mulheres que querem abortar devem auto-organizar-se para recolherem dinheiro e irem a uma clínica privada. Enfim, isto é uma maneira chique de mandar as mulheres para vãos de escada e para desresponsabilizar o Estado por uma escolha que foi maioritária. Mas a minha proposta é outra, é que nos juntemos, nos auto-organizemos e arranjemos umas massas para dar um subsídio ao João Miguel para não ter que ganhar a vida a vomitar conservadorismo nos média.

 

Continuava a comer e a viver porque nós somos pelo direito à vida. Mas o nosso ar, esse, ficava bem mais respirável. 

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publicado às 11:36


1 comentário

De Ana Crestuma Lopes a 14.02.2014 às 13:25

Esta criatura, que não se sabe muito bem de onde veio mas que se sabe muito bem para onde vai (para um tacho, sem dúvida) usa as credenciais duvidosas de ter casado com uma médica para vender postas de pescada (sim, porque lhe pagam pelos bitaites) ultra-conservadoras em questões médicas. Do tipo "eu tive palavreado para conseguir engatar uma médica, portanto agora já sou meio médico". E portanto acha-se no direito de controlar úteros alheios, acha que o sexo deve ser castigado e portanto inserindo-se na velha premissa "sexo é para procriação, de preferência sem orgasmo que é para a mulher não incomodar muito o homem". Como mulher sinto vergonha de ser de uma nacionalidade que ainda permite este tipo de insultos À mulher. Ninguém anda para aí a escrever este tipo de artigos contra os homens que não usam preservativo e engravidam estas mulheres que depois se ataca tanto. Uma vergonha escrita por quem nunca poderá passar por esta situação e que portanto mostra o falso cristão que é, a mentira que é a religião católica e os seus intentos carreiristas de vir a ser um polítiqueiro qualquer. É uma espécie de João Cesar das Neves mais magrinho, tirando isso, óculos, barba e atitude taliban não lhe faltam!

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