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Crato, o doutor exigência e a prova absurda

por carlos carujo, em 20.07.14

 

Crato era o doutor exigência com a missão de exterminar o facilitismo. Era na prova que pretende obrigar os professores a fazer que ia demonstrar o seu excesso de zelo: os professores deveriam ser avaliados uma segunda vez pelos mesmos conteúdos porque a avaliação feita por uma instituição universitária regulada pelo Estado não era suficiente.

Afinal, em vésperas da sua realização, a «prova de avaliação de conhecimentos e capacidades» é amputada da sua componente específica (a que avaliaria os conhecimentos disciplinares necesssários para a realização do seu trabalho) e apenas resiste a componente geral, algo ridículo que só se pode descrever como estando a meio caminho entre uma espécie de PGA e um teste de QI abrutalhado para professores. É um remendo temporário, diz-se, mas é significativo. E é mais uma ocasião para perceber que o discurso da exigência é tantas vezes instrumentalizado por várias outras causas. O que interessa é mesmo realizar a prova e excluir, não o que é avaliado.

A culpa de todos os males da educação era do eduquês vazio de conteúdos disciplinares sérios, não era dr Crato?

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publicado às 22:20


1 comentário

De carlos carujo a 22.07.2014 às 12:55

Rui, o seu comentário levanta-me várias objecções.
- Parte do pressuposto de que os professores não são avaliados ou não o querem ser. Por muito que seja útil ao Ministro da Educação que tal mensagem passe, ela não é verdadeira. Já existia um sistema de avaliação de professores antes de se impor este novo modelo de que tanto falou. Rejeitar um modelo será diferente de rejeitar a avaliação.
- Confunde avaliação do desempenho com esta prova. Os professores que são obrigados a fazer esta prova foram avaliados nas Universidades e Escolas Superiores pelos seus conhecimentos e são avaliados sempre que estão colocados (ou seja, já foram avaliados várias vezes).
- Recorre a perguntas retóricas que são, no fundo, ataques aos professores: quem se opõe a uma determinada medida só pode «ter algo a esconder» e esse algo é incompetência, os professores julgam-se acima dos outros.
- Termina da pior forma. Apesar de candidamente, introduz o estigma da loucura para discutir uma profissão, o que nunca é bom ponto de diálogo. Sugere-se «um acompanhamento psicológico e psiquiátrico» aos professores por alguma razão em particular? É a única profissão onde esse acompanhamento é necessário? Essa questão relaciona-se de que forma com a questão da avaliação e da prova? é que nem uma nem outra são testes psicológicos ou avaliações psiquiátricas.
- Sobre o fundo da questão colocada (a prova, o que avalia e porque seria necessária) nada se diz.

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