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JSD e JP, símbolos de tempos podres

por João Mineiro, em 15.01.14

Portugal é hoje um país que vive numa encruzilhada de tempos. No nosso tempo construímos e conquistámos coletivamente direitos que marcam uma agenda de modernidade civilizacional. Mas foi também no nosso tempo que vimos proliferar um velho conservadorismo bafiento de alguns setores da direita e da sociedade portuguesa que têm efetivado uma verdadeira agenda de atraso civilizacional.

Conquistámos o fim da perseguição das mulheres que recorriam à IVG, mas o Serviço Nacional de Saúde está a ser desmantelado. Conquistámos uma das mais avançadas leis da identidade de género, mas vimos o direito ao casamento por casais homossexuais não ser acompanhado pelo direito à adoção como em qualquer outro casamento. Conquistámos o Ensino Superior Público, mas cada vez menos estudantes têm condições económicas para o frequentar. Conquistámos diversidade de oferta cultural e de públicos, mas deixámos a cultura sem Ministério, sem orçamento e entregue a agendas economicistas. Conquistámos a lei da paridade, mas a violência doméstica e a desigualdade salarial continuam a ter uma marca de género.

Nas grandes disputas da modernidade encontrámos sempre uma barricada com dois lados bem distintos. De um lado encontrámos as forças sociais e políticas progressistas, os setores da esquerda com uma agenda de modernidade e efetivação de direitos. Do outro lado encontrámos sempre o conservadorismo dos setores mais reacionários da direita portuguesa, com um cheiro decadente a atraso e uma estranha nostalgia dos tempos mais podres e miseráveis da nossa história.

É esse o confronto do nosso tempo: um confronto entre quem quer que o futuro seja um regresso ao passado e quem quer que o futuro seja um tempo novo de direitos e liberdades. É esse o confronto que hoje temos pela frente com a JSD e a JP, essas locomotivas de produção de políticos profissionais, de analfabetos políticos que só não são forçados a emigrar porque têm na jota um referencial de emprego para a vida.

A JP aproveitou o Congresso do CDS-PP e o apoio de meia dúzia de secretários de estado do CDS para propor um recuo da escolaridade obrigatória para 9º ano. A JSD, na esperança de mobilizar as velhas ideias conservadoras da sociedade portuguesa, propõe um referendo à adoção e coadoção de crianças por casais homossexuais, achando que os direitos humanos, mesmo que com o apoio maioritário da sociedade, devem poder ser vedados a grupos socialmente discriminados. A JSD e a JP assumem o seu projeto: ter uma sociedade mais desigual, conservadora e autoritária. Uma sociedade onde a maioria deve ter o direito de impedir direitos fundamentais a uma minoria. Uma sociedade com menos qualificação em que o sistema da educação deve ser uma máquina reprodutora das desigualdades sociais.

Vejamos só a título de exemplo a comparação para o ano de 2001 e 2011 dos anos de escolaridade obrigatória numa série de países do mundo:

Figura 1: Anos de escolaridade obrigatória entre 2001 e 2011
Fonte: PNUD

Percebe-se três coisas. Em primeiro lugar, entre 2001 e 2011 ou se mantêm os números de anos de escolaridade obrigatório ou em muitos países aumenta. Em segundo lugar, Portugal está na linha dos países mais avançados na Europa neste domínio, e afasta-se de países de regiões do mundo com menos investimento neste campo. Em terceiro lugar, a Juventude Popular propõe que caminhemos em contraciclo com a maior parte dos países do mundo neste domínio.

A JSD e a JP deitam um cheiro subtil e ainda assim engulhoso a um período negro da nossa história que, em quase meio século de existência, apostou numa sociedade sem escolaridade, altamente desigual e onde a moral e os bons costumes eram os pretextos do conservadorismo mais reacionário.

O que a JSD e a JP propõem é um atraso civilizacional. Puro e duro, sem rodeios. Um cheiro bafiento a tempos dos quais não temos saudade. Um branqueamento mesquinho dos avanços nos direitos e na conquista da igualdade na sociedade portuguesa. A JSD e a JP não estão contentes. Viram uma sociedade que avançou mais do que os cérebros dos seus iluminados dirigentes. Viram que ao contrário das suas ideias mais obscuras, a sociedade portuguesa soube evoluir e lutar. A JSD e a JP estão histéricas. Viram uma sociedade passar-lhes à frente e não ficar presa aos símbolos mais podres que marcaram a nossa história coletiva. Viram que só eles ficaram presos numa nostalgia passadista e rançosa de um tempo cujo povo heroicamente soube ser coveiro.

A JSD e a JP têm de ser derrotadas. A sua derrota é condição de existência de um futuro.

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publicado às 09:45

Alguém tem um Guronsan?

por João Mineiro, em 09.01.14

 

 

Muita gente entra no primeiro dia do ano com uma grande ressaca. Dia 1 de Janeiro costuma ser um dia de dores de cabeça e mal-estar. Mas eu confesso que este ano ainda não me passou o enjoo. É que logo no início do ano chegou-me a notícia que o ilustre e prendado João Almeida já tinha chegado a Secretário de Estado.

 

Confesso que desde esse dia me vieram uns enjoos incontroláveis. Sempre que penso no João Almeida como Secretário de Estado perco a cabeça e tenho alucinações, o meu estômago fica às voltas, tenho dificuldade em respirar, dor de cabeça, irritação na pele e, se pensar muito, chego a ter que ficar alguns dias de cama.

 

Pensar que estou a ser governado por um João Almeida tira a energia, a saúde e a compostura a qualquer um.

João Almeida é o tipo que disse que os funcionários públicos que não concordam com o governo deviam basicamente despedir-se.

 

João Almeida é o típico boy da jota, neste caso da patega Juventude Popular, que aos 37 anos já leva 12 anos de deputado. Entrou no parlamento aos 25 e nunca mais quis sair. E, na verdade, tendo ele tirado um curso de direito, teve um percurso de vida santo, com um trampolim directo da universidade para o Estado, onde se preservou durante todos estes anos até agora ser, imagine-se, Secretário de Estado.

 

João Almeida agarrou-se ao osso e ninguém o demoveu. Aí de quem o contrarie. Está bem rodeado de lobos, todos à sua volta, a salivar, prontos para defender a sua mais promissora cria.

 

Este ex-presidente da JP, ainda que tenha deixado crescer a barba, lavado o cabelo, arranjado as unhas e comprado uns fatos caros com o dinheiro que foi amealhando, é o sinal de um país que apodrece. Apodrece um país e apodrecem também os seus órgãos de soberania. Ao ponto de darem enjoos.

 

Alguém tem um Guronsan?

 

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publicado às 12:51




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